Semana passada vi uma reportagem sobre prostitutas que estão organizando uma manifestação na Itália. Aconteceu que baixou uma lei que multa os clientes de prostituição e também as pessoas que se vestirem do modo a, segundo eles, ofender a decência pública.
Me ocorreu que é isso o que falta no povo brasileiro. Mesmo a líder sendo brasileira, não temos uma manifestação de caráter político nacional, se não me engano, desde a passeata da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o período da ditadura. Não houve nem sequer reação ao maior escândalo de corrupção do país. Acho que os únicos movimentos que ocorrem e com muita força são o MST e a passeata anual do movimento gay sobre a avenida paulista, mas esta sem caráter político.
A pergunta que fica é: de onde vem esse comodismo do povo brasileiro? Seria o “jeitinho brasileiro” que faz com que cada brasileiro tente se dar bem em pequenas coisas, não havendo assim uma consciência política e coletiva? Seria por culpa dos baixíssimos investimentos em educação? A TV teria contribuição nisso? Ou então razões históricas? Será que é preciso uma situação de caos para nos despertar?
Uma coisa é certa: pior do que uma briga de beleza na câmara, é achar isso uma coisa normal.

4 comments
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18/05/2007 às 23:12
Fernando Gripe
Hoje em dia, a DNE ( Desunião Nacional Estudantil ) serve apenas para vender carteirinhas de estudante ou para aspirantes a futuros políticos se degladem a fim de ver quem chama mais atenção e simpatia por parte da massa estudantil e política.
Podemos citar como movimento organizado social que tem ganhado força nas últimas semanas os protestos contra os decretos do governador Serra que ameaçam a autonomia universitária das universidades estaduais. É de conhecimento de todos a ocupação bem sucedida por parte de alunos a reitoria da Unicamp, que dentre suas reivindicações, pediam uma posição clara da universidade perante os decretos do governador.
Desde o dia 03/05 estudantes da USP também invadiram a reitoria da universidade exigindo uma série de reivindicações como: – Posicionamento contrário da reitoria aos decretos do governador Serra. – Maior número de moradias estudantis. – Ampliação do quadro docente.
Maiores informações sobre esta última ocupação pode ser vista em: http://www.brasildefato.com.br ou no blog dos próprios estudantes: http://ocupacaousp.blog.terra.com.br
É muito interessante a atitude em conjunto da reitoria das três universidades estaduais paulistas (USP – Unesp – Unicamp) de estarem resistindo ao máximo de entrar em atrito com o governo estadual, mesmo com os estudantes, docentes e funcionários se movendo contra os decretos (eles decidiram entrar em greve, sinalizando apoio ao protesto estudantil)
Excetuando-se o MST como movimento nacional, e outros movimentos sociais regionais (como o explanado acima) que visam defender pontos em específico contra a “filha da putagem” exercida pelas camadas que detém o poder nesse país, não há um espírito de criticidade perante o cenário desumano e cruel, o qual vivemos, por parte da massa em geral.
O Brasileiro em geral é um povo acomodado, sempre empurrando com a barrida, como se fosse uma “progressão continuada social”, onde se prefere não encarar o problema como realmente ele é. É mais fácil assistir novela a noite do que ir pras ruas protestar e fazer valer nossos direitos.
Eu sei qual é o problema do povo brasileiro, ele não conhece a felicidade, ele acha que já é feliz assim: praia, novela, futebol…, pra que querer mais ?
26/05/2007 às 1:54
Hugo Chinaglia
E que bom ver e ouvir isso: O movimento estudantil acaba de ganhar mais força. Professores e mais universidades aderem ao movimento, dando a ele uma dimensão muito maior.
acompanhe: http://www.parouparou.blogspot.com
10/06/2007 às 14:31
Stella
Puxa, quantas questões levantadas que dão pano pra discussão, nesse texto e no comentário do Gripe!
Primeiramente, discordo quando vc diz que a Parada Gay não tem caráter político. Milhares de pessoas que se juntam pela não-opressão às diferentes opressões à orientação sexual não é uma manifestação política? Basta lembrar que vivemos numa sociedade conservadora, que prima pelo capital e pela manutenção da ordem atual, sempre. Então, nada mais político do que uma manifestação que se opõe à situação atual…
Sobre a UNE: sim, ela está burocratizada. Existe a direção majoritária, composta pela UJS, a juventude do PCdoB. Como o PCdoB apóia o governo Lula, esse apoio se reflete na entidade, que apóia, sem uma visão crítica, os projetos do governo, como – pra tratar da questão especificamente educacional – a Reforma Universitária. Essa reforma prioriza a educação privada em detrimento da pública, transferindo dinheiro público para o setor privado e iludindo as classes mais baixas com medidas como o Prouni, por exemplo, que não atende os interesses históricos dos movimentos de educação: a ampliação do acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade.
Mas dentro da UNE existe a FOE (Frente de Oposição de Esquerda), que luta pela autonomia da entidade perante partidos e governos, e luta pra que a UNE volte a defender os interesses históricos dos estudantes.
O movimento estudantil tem se organizado, e o estopim pra isso foram os decretos do Serra, que não estão desvinculados de uma política nacional e internacional para a educação voltada para o mercado, e não para o pensamento crítico.
Mas sobre o comentário do Gripe, discordo que o brasileiro seja um povo acomodado: isso é muito determinista. O que foram as ‘Diretas Já’? Ou mesmo o movimento estudantil se manifestando agora… O que acontece é que a ideologia dominante hoje prega esse senso comum de apatia, conformismo… Cabe a nós quetsionarmos e quebrarmos isso.
Acho que já escrevi demais, continuamos a discussão!
Beijos
30/05/2009 às 18:23
marcos cavalcanti
Para um povo que é obrigado a conviver diáriamente com as mazelas em que nós vivemos, que é manipulado, usado como massa de manobra pelos políticos, governantes, meios de comunicação,etc,talvez a melhor saída, seja aceitar a realidade como ela se nos apresenta e isso aparente ser o ” comodismo”.E quem domina o povo? A meu ver…as elites deste país, representadas por vários segmentos, que procuram de todas as formas éticas ou não, manter a maioria da população alienada, iludida e desrespeitada nos seus mais simples direitos. O nosso é um pais da “fartura”. Como diz o caipira, farta tudo. Educação, saúde, saneamento básico,etc.Como o cidadão comum sozinho, pode lutar contra estas forças descomunais, se não encontra apoio de quem deveria apoiá-lo? Os governos se sucedem e com eles as promessas de melhoria, no entanto, sabemos que quando algum governante, tenta modificar alguma coisa, que fira os interesses dos poderosos, eles tem apoio nos políticos que os elegeram e as coisas não caminham.Sabemos que na prática, existem dois pesos e duas medidas,por parte da maioria de nosso poder judiciário, sempre beneficiando as elites, que tem o poder econômico, além dos previlégios que se dizem “legais” embora anti-éticos.Então, só nos resta como “alternativa” nos unirmos, sairmos de nosso comodismo e passarmos a protestar, cobrar, expor, impor de todas as formas legais e cabíveis, os nossos direitos. Quanto de nós possue um computador? Vamos usar esta ferramenta e atravez dela, demonstrarmos que estamos atento a tudo que fira nossos direitos.Quem não tem computador, pode mandar uma correspondência, um telefonema, etc, exigindo providências em tôrno de soluções para causas comuns.Se deixarmos de lado, nossos interesses pessoais e passarmos a defender o de todos, teremos força, pelo menos para tentar mudar alguma coisa e mesmo que ela a princípio pareça ser uma causa “perdida” com certeza, com a participação maciça, alguma coisa terá que mudar. A questão agora é esta: VOCE TOPA?