A grande divulgação do jornal JÁ, na TV e outdoors, já tinha me chamado atenção. Mas foi no centro da cidade que, depois de me deparar com cinco moças vendendo o jornal na rua por apenas 50 centavos, eu me rendi.
O jornal é uma espécie de Notícias Populares versão light. Pra quem não sabe, o Notícias Populares (NP) foi um jornal muito famoso de São Paulo, criado em 1963 e extinto em 2002. Ele era focado para a camada popular e por isso abordava temas como violência, sexualidade, futebol e celebridades, além de basear suas matérias em cima de sensacionalismo e matérias com textos curtíssimos e muitas fotos e gravuras.
A diferença entre os dois é que o JÁ se for espremido não escorre sangue e quase não têm matérias sensacionalistas e que explorem tragédias, exceto: “Tragédia no banheiro da câmara; assessor encontrado com um corte na garganta e uma faca no peito”, o que é bem mais leve que “A morte não usa calcinha”, divulgado numa das edições do NP, estampando junto com a manchete a foto de uma mulher nua morta. A mesma leveza do JÁ também acontece quanto a exposição de mulheres semi-nuas, aparece uma na capa e outra na previsão do tempo. No NP, porém, havia reportagens que giravam em torno do apelo sexual.
É interessante observar que os dois jornais nasceram num contexto de agitação política. Coincidência ou não, intenção ou não, é uma atitude astuta para este tipo de jornal. O público alvo irá compra-lo por atração de assuntos que fogem de política e da complexidade da informação, por assuntos que o entretem e por algo que se identifique. As matérias do JÁ que abordam casos reais de superação na vida se encaixam nesse conteúdo atrativo contextualizado no momento de crise política.
Desde que a informação começou a ser comercializada, começaram a surgir especializações sobre o que as pessoas queriam saber e assim surgiu uma diversidade grande de impressos especializados em política, música, esportes, celebridades, fofocas, culinária e etc… O Notícias Populares foi um bom exemplo de que esse negócio dá certo, e o jornal JÁ vem seguindo o mesmo caminho, veremos se ele terá sucesso ou não.

2 comments
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22/04/2007 às 22:23
Fernando Gripe
Bom, devo admitir que eu também me rendi ao preço do novo tablóide. Ao andar pelo centro da cidade com 55 centavos no bolso quando passei por uma banca de jornal não tive como escapar, a curiosidade era grande e comprei o novo jornal (e uma balinha também). O Notícia JÁ está circulando primariamente em 12 cidades da RMC e sendo vendido em 700 pontos de venda fixos, além de 150 gazeteiros ambulantes. De acordo com Eduardo Porto Filho, diretor comercial da RAC (Rede Anhangüera de Comunicação), há um estudo de parceria com a Transurc para venderem o jornal dentro dos ônibus de algumas linhas.
Estou com a edição n° 5 em minhas mãos e o que mais me surpreendeu positivamente foi a falta de propagandas, nesta edição existe apenas uma única página destinada a elas (não nos deixemos enganar, a RAC tem uma tabela completa de preços para anunciantes).
Tendo em vista que o público alvo seja uma parcela da população que não tem acesso constante a notícia escrita e que o jornal segue um linguajar oral e acessível, ele desempenha bem sua missão, mas como Hugo disse, cabe a população decidir sobre o futuro desse novo jornal popular.
30/04/2007 às 10:02
Adriano Godinho
Ahahah!! Bom, eu ainda não me rendi ao Já, embora tenha vontade de comprar a balinha.
A abordagem de temas importantes para a sociedade de forma simplista, é uma grande ferramenta de dominação, pois isenta o leitor de uma posição critica sobre o tema e impõe de forma categórica uma outra posição interessante para uma outra parte da população. De acordo com esta premissa, e com o que foi exposto pelo Gripe, o jornal Já, que segue a mesma linha sensacionalista da midia em geral, não passa de um bom empreendimento, e que tem como único ideal a conquista de mais leitores.
Mas não podemos esquecer que o Já não foi o inventor deste tipo de mídia, e além do Noticias Populares que fora citado, podemos incluir no pacote de lixo mental todo o restante da mídia burguesa. Neste pacote destaco o Jornal Nacional com sua imagem de politicamente correto, imparcial, e defensor da família brasileira, ou seja, todas aquelas besteiras conservadoras de direita que costumam dar credibilidade frente a população e que não correspondem a realidade da maioria dela.
Desta forma, é importante ter muita atenção com todo tipo de informação que nos atinge todos os dias, e não apenas atentar para um único veiculo, pois as formas variam mas os ideais são os mesmos. E estes sustentam diariamente uma realidade criada para que nos sentirmos anestesiados olhando a desgraça e pensando que poderia ser pior e contemplando o luxo das celebridades e acreditando que um dia chegaremos lá…
Enfim…nada muito coeso!!!